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4 de julho de 2010

DUNGA ESTÁ DEMITIDO

A CBF oficializou há pouco, em nota publicada em seu site oficial, a dissolução da comissão técnica que comandou a seleção brasileira na Copa de 2010. Em linguagem seca e objetiva, a entidade oficializou a dispensa do técnico Dunga e de seus auxiliares. Apesar de muita especulação, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, ainda não escolheu o nome do técnico – mas já decidiu que o fará até o fim do mês.

Além de Dunga, que desembarcou hoje em Porto Alegre dizendo que ainda iria conversasr com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira para falar sobre o futuro, foram demitidos também o auxiliar Jorginho, o supervisor Américo Faria (na entidade desde 1989) e o médico José Luís Runco (que estava na seleção desde 2002)
O novo técnico, segundo fonte da entidade, terá a importante missão de renovar a seleção. Analisando a idade das seleções na Copa, os dirigentes perceberam que o Brasil era uma das seleções mais velhas da competição. Enquanto a Alemanha usou nove jogadores sub-23 e a Argentina usou sete, o Brasil tinha apenas um – Ramires.
 
Mais – o novo técnico da Seleção terá um trabalho diferente – com um ciclo possivelmente mais extenso do que os tradicionais quatro anos que separam duas Copas. Por causa das Olimpíadas de 2016, a ideia da CBF é trabalhar para um ciclo de seis anos – que começará ainda este ano com os cinco amistosos programados para 2010 (o primeiro já no dia 10 de agosto contra os Estados Unidos em Nova York).

Esse ciclo de seis anos incluirá pelo menos uma competição importante por ano. Em 2011, haverá Copa America e a seletiva para os Jogos Olímpicos de 2012. Em 2012, as Olimpíadas. Em 2013, Copa das Confederações no Brasil. Em 2014, a Copa no Brasil. Em 2015, Copa America, também no Brasil (embora haja especulação de que ela poderia mudar para o Chile). E, enfim, as Olimpíadas do Rio em 2016.

Por conta disso – e da necessidade de renovação – ainda há uma dúvida na CBF sobre a contratação (ou não) de um técnico específico para a seleção olímpica – como já aconteceu no passado. Essa escolha vai depender, claro, do nome escolhido para comandar a seleção principal. Pode ser que o novo treinador queira comandar os dois times – ou escolher um nome de confiança para trabalhar os novos valores.

2 de julho de 2010

O TESTE MAIS DIFÍCIL DA ERA DUNGA

Dunga tem pela frente nesta sexta-feira o maior desafio desde que assumiu a Seleção Brasileira. A equipe enfrenta a Holanda, às 11h (de Brasília), pelas quartas de final da Copa do Mundo, no Estádio Nelson Mandela Bay, em Port Elizabeth, em uma das partidas mais aguardadas do torneio.

Um tropeço diante do time europeu pode manchar a trajetória vitoriosa do treinador, que completará 60 jogos no cargo. Até agora foram 42 vitórias, 12 empates e apenas cinco derrotas em três anos e dez meses marcados pelos títulos da Copa América de 2007 e da Copa das Confederações de 2009, o primeiro lugar nas Eliminatórias Sul-Americanas, e a derrota na Olimpíada de Pequim, em 2008.

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Se perder, a metralhadora volta a disparar, afirmou Dunga em certa ocasião durante o Mundial da África do Sul. Por isso, a responsabilidade aumenta diante de um adversário com números tão expressivos como os do Brasil. 

A equipe do técnico Bert van Marwijk se classificou com 100% de aproveitamento nas Eliminatórias Europeias. Na Copa, venceu as quatro partidas que disputou - contra Dinamarca, Japão, Camarões e Eslováquia. Sem brilhar, mas com o mesmo futebol eficiente que caracteriza o técnico do Brasil.

Os holandeses cruzam o caminho de Dunga pela terceira vez em Copas. Como jogador, ele participou das vitórias nos Mundiais de 1994 (3 a 2, também nas quartas de final) e 1998 (triunfo nos pênaltis, após empate por 1 a 1 na semifinal). A Holanda não vence o Brasil desde a Copa do Mundo de 1974, ainda nos tempos da Laranja Mecânica de Johan Cryuff.

Para manter a série de sete jogos sem perder para o adversário, o Brasil espera continuar crescendo no torneio. Depois de uma primeira fase sem grandes atuações, a equipe finalmente convenceu na vitória por 3 a 0 sobre o Chile, na última segunda, no início do mata-mata.

Será um jogo importante. Vai afunilando a Copa do Mundo e partidas serão cada vez mais difíceis, emocionantes, com melhor qualidade técnica. Todos que vão vir ao estádio vão ver um bom espetáculo, analisou o técnico brasileiro.

Só que Dunga não terá seu time ideal para a decisão. Elano, lesionado, já está fora. Felipe Melo, que se recupera de contusão no tornozelo esquerdo, ainda é dúvida. O treinador vai divulgar a escalação apenas momentos antes da partida.

Já a Holanda aposta no atacante Robben, sua maior estrela, para surpreender. A equipe promete manter a postura ofensiva contra o Brasil. É importante jogarmos o nosso estilo de jogo. O Brasil é o favorito, mas não tememos nada, analisou o técnico Bert van Marwijk.

Se vencer a Holanda, a Seleção encara Uruguai ou Gana na primeira semifinal, na próxima terça-feira, na Cidade do Cabo. Do outro lado da chave, se enfrentam Argentina x Alemanha e Espanha x Paraguai.

25 de junho de 2010

DUNGA GARANTE QUE NÃO ESTÁ FELIZ

Atuação contra Portugal
Foi um jogo difícil. A equipe portuguesa se colocou atrás do meio-campo e dificultou a penetração dos nossos jogadores. Foi um jogo truncado, com muitas faltas. Os times não davam seqüência às jogadas. Mas, mesmo assim, tivemos duas ou três chances para fazer o gol.

Feliz com o resultado?
Não estamos felizes, pois queremos ganhar sempre. Mesmo com resultado a nosso favor, nós atacamos e equipe deles. Essa é uma característica do Brasil.

Ausências de Kaká e Robinho
Acho que são jogadores excepcionais. Mas eles também teriam dificuldades hoje (sexta). Talvez o Robinho acrescentasse mais pelos dribles, pois os espaços estavam reduzidos. Tivemos pouco espaço pra penetrar.

A escalação de Nilmar
É um artilheiro e tem velocidade. É um jogador rápido, tem características diferentes das do Robinho, que sentiu uma dor muscular.

Elano volta nas oitavas?
É seguro que ele joga. Está tranqüilo.

Substituição de Felipe Melo ainda no primeiro tempo
O Felipe teve uma torção. Era mais prudente ele não continuar até o fim da partida.

Muitos erros de passe do Brasil
É normal quando 20 jogadores ocupam praticamente a mesma faixa dentro de campo. Os espaços ficaram reduzidos. Nós forçamos pelo meio, eu gostaria que jogássemos mais pela lateral. Mas, pela ânsia e vontade de vencer, o time insistiu muito pelo meio.

Argentina? Só na final
Nós estamos pensando nos adversários que temos pela frente. Se o Brasil tem que se preocupar com eles (argentinos), eles também devem se preocupar com a gente. Eles devem se lembrar do resultado das eliminatórias (O Brasil ganhou na Argentina por 3 a 1).

Treino com crianças na véspera
Futebol é a alegria do povo. Copa do Mundo é um evento no qual não se tem religião, política, classe econômica... é só alegria. Sempre que for possível, nós vamos deixar o torcedor estar perto da seleção, principalmente as crianças. Estamos em um local onde elas nunca viram esses jogadores. Todos nós já fomos criança um dia. Essa é uma oportunidade única pra eles verem esses jogadores de perto.

Lúcio ou Cristiano Ronaldo como melhor em campo?
Eu como treinador elegeria o Lucio, pois ele interceptou todas as bolas, organizou a defesa e saiu jogando. Mas quem escolhe deve ter visto algumas coisas boas no Cristiano. No jogo de hoje (sexta), ele não pôde demonstrar seu melhor futebol porque encontrou o Lúcio pela frente.

Média de gols baixa na Copa
As equipes que perdem a bola voltam inteiras para defender. E a preparação das equipes está sendo boa. Veja a Nova Zelândia, que não é tradicional. Conseguiu três empates. Os times estão evoluindo dentro do passo de cada um, e não serão em todos os jogos que veremos tantos gols.

20 de junho de 2010

DUNGA RECLAMA DA EXPLUSÃO DE KAKÁ

Após a vitória da Seleção Brasileira por 3 a 1 sobre a Costa do Marfim, neste domingo, pela segunda rodada da Copa do Mundo da África do Sul, Dunga lamentou a expulsão de Kaká e reclamou muito da arbitragem.

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Foi um jogo muito complicado, muito atlético, muita força física, muitas faltas. Todos nós que gostamos do futebol pedimos sempre um espetáculo. Mas as pessoas que tem que controlar o espetáculo tem que saber o que é futebol e o que não é. É difícil fazer o futebol arte como todos pedem quando o árbitro deixa passar as coisas como aconteceu hoje, disse.

Desde que chegamos aqui temos conversado que temos que acabar com 11 jogadores. Hoje foi uma prova dura para os jogadores. Mostraram maturidade. Apanharam do início ao final e nenhuma vez revidaram. Com qualidade que eles tem, não podem pensar em bater ou reclamar. Tem que fazer o que sabem de melhor. Se quisermos começar a bater e falar, vamos perder o foco e jogar o futebol que todo mundo conhece, completou.

Com a vitória no Estádio Soccer City, em Johannesburgo, o Brasil se classificou antecipadamente às oitavas de final. Para substituir o meia no último jogo da primeira fase, contra Portugal, no dia 25, o treinador ainda não contou seus planos. "A ideia vamos pensar nos próximos dias. Foi totalmente injusta a expulsão. Pela primeira eu vejo o atleta que queria jogar ser punido. No primeiro cartão, ele sofreu a falta e levou o amarelo. Estava bom para mim, eu poderia fazer falta à vontade e o juiz ia me dar parabéns. Foi totalmente injusta", insistiu.

O Kaká estava adquirindo confiança. Não é só física ou técnica. Vinha adquirindo confiança a cada jogo. Mas temos que pegar o lado positivo da questão. Como o tempo entre um jogo e outro será muito curto, ele poderá descansar, ponderou.

15 de junho de 2010

DUNGA ADMITE QUE BRASIL PRECISA MELHORAR

Após a vitória por 2 a 1 sobre a Coreia do Norte, o técnico Dunga admitiu nesta terça-feira que a Seleção Brasileira precisa apresentar um futebol melhor no decorrer da Copa do Mundo.

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Nas circunstâncias de estreia, com a ansiedade, estamos satisfeitos pela vitória, mas queremos sempre jogar melhor, disse Dunga, depois do duelo no Ellis Park, em Johannesburgo.

SAIBA QUEM VESTE DUNGA

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O técnico da seleção brasileira Dunga vestia um casaco do estilista brasileiro Alexandre Herchcovitch na estreia do time na Copa do Mundo nesta terça-feira, em Joanesburgo.

Quem confirmou o traje do técnico foi o próprio estilista, que comemorou em sua conta do Twitter a escolha de Dunga. Confirmado Dunga ta de Herchcovitch e eu tenho um igual !!!!! To feliz !!!!, escreveu.

O casaco foi lançado na coleção masculina de inverno de 2006 do estilista paulistano. Inspirado no principe urbano, misturando alfaiataria e esporte, o desfile trouxe modelos usando coroas de papel branco na cabeça.

O técnico apareceu duas outras vezes com a blusa de gola rulê que está debaixo do casaco. A primeira durante um amistoso entre Brasil e Suíça em 15 de novembro de 2006. A Seleção venceu por 2 a 1. Ele voltou a usar a blusa em outra partida, contra o Egito, em 15 de junho de 2009, quando o Brasil venceu por 4 a 3.

8 de junho de 2010

BECKENBAUER ELOGIA DUNGA

Em um evento de um dos patrocinadores da Copa do Mundo na África do Sul, nesta terça-feira, o ex-jogador alemão Franz Beckenbauer disse que a Seleção Brasileira do técnico Dunga está mais preparada que a equipe argentina comandada por Diego Maradona.

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Os dois ganharam como jogadores, e agora fazem um bom trabalho como técnicos. Mas se compararmos, o Brasil está um passo a frente. A Argentina sofreu para conseguir chegar ao Mundial, passou por grandes dificuldades nas Eliminatórias e conseguiu a vaga só no ultimo jogo, disse o alemão. Mas eu só posso desejar boa sorte para os dois, emendou. 

Antes de comentar sobre os treinadores sul-americanos, Kaiser falou sobre os favoritos para a conquista do título, deixado de fora os argentinos.

Eu vejo o Brasil como um time forte, tem um espírito excelente e um time muito bom. Na Europa, a Espanha tem mostrado o melhor futebol e tem a seleção mais organizada do continente, afirmou.

Atrás desses dois, que eu considero os favoritos, tem a Alemanha, com um futebol impressionante, lutando até o final da partida, a Inglaterra, que melhorou muito de quatro anos para cá por conta do Capello, e não se pode esquecer de outras seleções como Itália, Holanda e França, disse o campeão mundial como jogador em 1974 e técnico em 1990.

7 de junho de 2010

DUNGA VS. MARADONA GANHA DESTAQUE NA FIFA

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Dentro os 32 treinadores que comandarão as seleções na Copa do Mundo, oito já tiveram a oportunidade de participar da competição como jogador: Dunga (Brasil), Maradona (Argentina), Fabio Capello (Itália), Javier Aguirre (México), Morten Olsen (Dinamarca), Vladimir Weiss (Tchecoslováquia), Rick Herbert (Nova Zelândia) e Huh Jungo-Moo (Coreia do Sul). E os dois primeiros podem repetir Zagallo e Franz Beckenbauer, as únicas duas pessoas que venceram o Mundial como atleta e como técnicos, segundo destaca o site da Fifa.

O único confronto entre os dois dirigindo suas respectivas seleções aconteceu nas Eliminatórias para esta Copa do Mundo no dia 5 de setembro de 2009, em Rosário. O Brasil de Dunga foi muito superior em campo e venceu por 3 a 1, com dois de Luis Fabiano e um do zagueiro Luisão, aumentando na época a crise dos vizinhos.

Dunga e Maradona tiveram a oportunidade de se enfrentar como jogadores na Copa do Mundo de 1990, na Itália, quando a Argentina eliminou o Brasil nas oitavas de final por 1 a 0 com gol de Caniggia, após receber passe do atual treinador da seleção rival. O jogo ficou marcado pelo episódio da "água batizada", revelado anos depois pelo ex-camisa 10 argentino. O ex-lateral Branco bebeu uma água "adulterada" dada pelos rivais.

Outro curiosidade é que Maradona conquistou a Copa do Mundo em 1986 no México, quatro anos do confronto com o Brasil em Turim, e Dunga levantou a taça quatro anos depois, em 1994, quando o Brasil conquistou o tetracampeonato após passar pela Itália nos pênaltis.

Zagallo foi o primeiro futebolista a conquistar o Mundial em ambas as funções. Como jogador ganhou a Taça Jules Rimet em 1958 e 1962 como jogador e em 1970 como treinador. Já Beckenbauer conquistou a Copa de 1974 como capitão da seleção da Alemanha Ocidental e como técnico em 1990, após derrotar a Argentina de Maradona na final.

Alguns casos de ex-jogadores como técnicos marcaram a história das Copas. Após conquistar o bicampeonato mundial em 1958 e 1962 ao lado de Zagallo, Didi enfrentou o Brasil em 1970 como treinador do Peru nas quartas de final e endureceu a partida para Pelé, Tostão, e cia.

Situação semelhante a de Ricardo La Volpe, campeão pela Argentina como jogador em 1978. Em 2006 enfrentou seus compatriotas como técnico do México nas oitavas de final. Em um jogo complicado, a seleção bicampeã mundial venceu na prorrogação com um golaço de Maxi Rodríguez.

Na competição que começa na sexta-feira, com a partida entre África do Sul e México, Dunga e Maradona entram com suas seleções entre as principais favoritas e podem fazer mais uma vez história na Copa do Mundo.

30 de maio de 2010

Passe de Dunga está valorizado

Com certeza foi uma das melhores aplicações do planeta. Quanto valia o técnico Dunga ao assumir a seleção brasileira? Ex-jogador, havia comentado a Copa do Mundo de 2006 para um canal de TV a cabo. Depois, com o fracasso de Parreira e seu quarteto mágico, veio o convite de Ricardo Teixeira. E Dunga aceitou.


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Recebe um salário que não condiz com a importância do cargo: R$ 150 mil mensais. Suas ações mais subiram do que caíram. Ganhou Copa América. Perdeu Olimpíada. Mas classificou o Brasil em primeiro lugar nas eliminatórias. E ganhou a Copa das Confederações. Seu passe ficou estratosférico. Virou um técnico top.

Com a ida de José Mourinho para o Real Madrid, Dunga foi citado como um dos possíveis contratados pela Inter de Milão. Disputa vaga com Fábio Capello, treinador da Inglaterra.

Na África, Dunga é visto com muito respeito. Não sai dos noticiários esportivos da televisão e das capas de jornais. Jornalistas italianos e japoneses já assediam o brasileiro. Quanto vale Dunga agora?

O fato de já estar resolvido financeiramente o faz pensar melhor sobre o próximo passo depois do Mundial. Ele sabe que está valorizado. Seu sonho sempre foi trabalhar no futebol italiano como treinador. Poderia fazer como Sebastião Lazaroni e fechar contrato antes da Copa com uma equipe de ponta na Europa – em 1990, o técnico disputou o Mundial já contratado pelo Fiorentina.

Dunga só não toma essa atitude porque está ficando animado com o clima de Copa do Mundo aqui na África. E com o assédio da própria seleção brasileira. Está implícito que, se o Brasil for hexa, ele continuará como técnico da seleção. Ele sabe que é simples assim. Teria um aumento enorme e mais quatro anos de tranquilidade. País-sede da Copa não disputa Eliminatórias.

Ricardo Teixeira não poderia estar mais satisfeito com um técnico. Dunga é tão leal quanto Parreira, mas vai além. Ele é duro, enfrenta a imprensa. Cortou a zona mista de entrevistas, onde os jogadores passavam depois de treinos e jogos para falar com os jornalistas. Os atletas não gostam desse assédio, do contato tão próximo. Dunga resolveu ouvir suas opiniões e não há entrevistas na tal zona mista.

Os jogadores gostaram, o enxergam como um dos raros personagens com coragem para enfrentar os jornalistas. Provavelmente, durante a Copa do Mundo, haverá dias em que o treinamento será inteiro fechado. Por decisão de Dunga, que já deixou o recado à imprensa e à torcida.

- Sou uma pessoa séria e quero que o trabalho seja sério. Que haja respeito a todos. O Brasil tem uma filosofia de trabalho e a está seguindo à risca. O nosso segredo é esse: estamos eu e os meus jogadores trabalhando com alegria. Sem disciplina não pode haver bom futebol. Eu prezo demais o meu trabalho. Sou feliz dirigindo a seleção brasileira.

Pode estar feliz, mas não é nada bobo. Percebe que o assédio sobre ele só cresce. Está muito valorizado fora do Brasil. Mas sabe que tudo pode mudar, dependendo de como for o Brasil no Mundial. Se for mal e for logo eliminado, ele volta a valer muito menos do que hoje. Se ganhar a Copa, seu preço dispara, mas ele está disposto a continuar na seleção se ganhar.
- Meu destino pertence ao doutor Ricardo. Não sei se vai me querer na seleção depois da competição. Meu destino depende dele.

O momento agora é de se concentrar no Mundial e dar um salto ainda maior no mercado. Quem diria...

27 de maio de 2010

Dunga diz que nem todos gostam de sexo

Enquanto a seleção argentina liberou o sexo no hotel em que estará concentrada para a Copa do Mundo, Dunga também adotará uma postura aberta na África do Sul. Nos momentos de folga, o técnico anunciou que os jogadores terão liberdade, mas ressaltou que há individualidades que devem ser respeitadas. Assim, chegou até a dizer: nem todo mundo gosta de sexo.

A decisão da Argentina foi comunicada nesta quarta-feira pelo médico da equipe alviceleste, Donato Villani, e está repercutindo bastante também no Brasil. Assim, Dunga não teve como fugir a uma pergunta sobre esse assunto na entrevista desta quinta em Johannesburgo, a primeira concedida desde a chegada à África do Sul.

Liberal assim como Maradona, o técnico brasileiro negou qualquer tipo de proibição aos jogadores quando eles estiverem de folga. No entanto, fez uma pequena ressalva. Acho que temos que respeitar as individualidades, todo mundo tem que respeitar o bom convívio geral, afirmou no Fairway Hotel, o quartel-general da Seleção durante a Copa do Mundo.

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Falando em respeitar as individualidades de cada atleta, Dunga lembrou que os interesses de cada um deles é diferente e brincou. Quem estiver de folga, faz o que quiser. Nem todo mundo gosta de sexo, nem todo mundo gosta de vinho, de sorvete. Tem que respeitar, disse.

Na quarta, o médico da delegação argentina havia explicado que o sexo estará liberado desde que não seja feito na madrugada nem na companhia de bebidas alcoólicas. Ressaltou ainda que as relações sexuais serão permitidas somente com as parceiras fixas dos jogadores.

Dunga promete Kaká na estreia

Único jogador a receber um tratamento especial e ficar de fora dos treinos com bola da seleção , Kaká é a grande preocupação para a comissão técnica e os torcedores brasileiros. Nesta quinta-feira, na primeira coletiva que deu em solo africano, Dunga falou sobre o atacante e tentou tranquilizar a torcida.
- Tanto o Kaká como o Luís Fabiano estavam fazendo fisioterapia e treinando reforço muscular. Nem sempre que o jogador está com o fisioterapeuta é para cuidar de uma lesão. Ele pode estar bem, mas fazendo um trabalho especial.

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Embora tenha tentado passar otimismo em relação à condição física do meia do Real Madrid, Dunga não foi muito claro nas respostas ao explicar sobre o tratamento de Kaká. Além disso, o treinador não confirmou a presença do meia nos amistosos antes da Copa, mas disse que ele estará em campo no primeiro jogo do Brasil no Mundial, contra a Coreia do Norte.

- Como ele ficou um bom tempo sem treinar, com lesões, é normal que ele não esteja nas mesmas condições que os demais. Para os amistosos, temos que ver como ele estará. No primeiro jogo [da Copa] ele estará em boas condições, vai estar pronto.

12 de maio de 2010

Maior parte do elenco convocado não estava em 2006

Na definição dos 23 nomes que serão utilizados na Copa do Mundo, o técnico Dunga lembrou na tarde desta terça-feira de apenas dez atletas que estiveram no primeiro amistoso sob o seu comando, no empate contra a Noruega, na cidade de Oslo. O goleiro Gomes, os zagueiros Lúcio, Juan e Luisão, os laterais Maicon e Gilberto, os meio-campistas Gilberto Silva, Elano e Julio Baptista e o atacante Robinho fizeram parte da lista do jogo disputado em agosto de 2006.

Na ocasião, o Brasil empatou com a Noruega por 1 a 1. O gol do time de Dunga foi marcado pelo atacante Daniel Carvalho, do CSKA, que quase não foi utilizado na equipe verde-amarela nas competições posteriores.

Outros nomes também foram considerados surpreendentes no primeiro compromisso sob a direção de Dunga. No meio-campo, o treinador escolheu Jônatas e Morais, que nem sequer estão entre as grandes opções do país.

Desde o princípio de seu trabalho, Dunga mostrou que utilizaria uma base europeia. Em agosto de 2006, apareceram somente cinco nomes que defendiam clubes brasileiros - Fábio e Wagner (Cruzeiro); Morais (Vasco), Jônatas (Flamengo) e Marcelo (Fluminense).

Por outro lado, Dunga também cumpriu a promessa de iniciar uma renovação. No jogo contra a Noruega, apenas oito convocados vinham da péssima campanha brasileira na Copa do Mundo de 2006: Juan, Lúcio, Luisão, Cicinho, Gilberto, Gilberto Silva, Fred e Robinho.

Durante os quatro anos de trabalho, Dunga utilizou 88 atletas nos 53 jogos sob o seu comando. A posição que deu mais dor de cabeça ao treinador foi a lateral esquerda, que ainda traz dúvidas ao torcedor para o Mundial.

Seleção de Dunga é a mais velha da história

O técnico Dunga prometeu uma renovação na seleção brasileira para o ciclo da Copa do Mundo da África do Sul e vai utilizar apenas oito atletas que estiveram no fracasso da Alemanha-2006. Ainda assim, a média de idade do atual grupo é um pouco superior em relação ao torneio anterior (passou de 28,2 para 28,7). É a equipe brasileira mais velha da história dos Mundiais.

Ainda assim, Dunga conta com um elenco uniforme para tentar o sexto título mundial. Do grupo chamado no início da tarde desta terça-feira na capital carioca, 17 atletas estão com idade entre 26 e 31 anos.


Em 2006, Parreira apostou nos extremos. Ele contava com veteranos como Cafu (perto de completar 36 anos); Roberto Carlos e Rogério Ceni (33); Dida e Zé Roberto (32); junto com a juventude de Robinho e Fred (ambos 22), além de Kaká e Adriano (24).

Em 2010, o mais novo do grupo escolhido por Dunga é o meio-campista Ramires. O atual jogador do Benfica, de Portugal, está com 23 anos.

Em comparação às décadas anteriores, o Brasil tem utilizado atletas cada vez mais velhos. Em 1930, a média de idade da seleção que disputou o Mundial foi de 24,7. Já nas cinco conquistas do país, o equipe verde-amarela também apostou em atletas mais jovens: 1958 (média de 25,5), 1962 (27,3), 1970 (24,5), 1994 (26,5) e 2002 (26,5).

Paulo Coelho twitta apoio a Dunga

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Entre as muitas críticas por não ter escalado Neymar e Ganso para a Seleção Brasileira que irá à Copa do Mundo da África do Sul, o técnico Dunga recebeu pelo menos uma mensagem de apoio. Ela partiu do escritor Paulo Coelho, que disparou em seu Twitter, no início da noite desta terça: "E a quem interessar possa: estou com Dunga e não abro. Aliás, desde 1994 que sou fã dele."

11 de maio de 2010

DUNGA PODE FICAR ATÉ 2014

A notícia muito importante quase escapou pelos dedos de quem acompanhou a coletiva de Dunga.

Aqui, no hotel Windsor, na Barra da Tijuca, o técnico mostrou que suas convicções estão mudadas.

Não em relação à forma conservadora com que montou a Seleção que está indo para a África. Em 2010, nada de Neymar e Paulo Henrique Ganso.

Mas os três podem estar juntos na próxima Copa, em 2014.

As pessoas que trabalham na CBF comentavam há tempos, mas hoje se confirmou ser verdade.
Dunga foi convencido por Ricardo Teixeira à comandar a Seleção também na Copa do Mundo do Brasil.
Teixeira adorou a postura do treinador.

Fiel ao dirigente e agressivo com a imprensa.

Ainda mais vencedor: conquistou a Copa América, Copa das Confederações e ainda classificou o Brasil em primeiro nas eliminatórias sul-americanas.

Leal, Dunga não chamou para a África jogadores indisciplinados como Adriano e Ronaldinho Gaúcho. Nem cogitou o braço direito de Ronaldo nas farras na Copa da Alemanha, Roberto Carlos. Exatamente como queria Teixeira. Feliz coincidência.

Dunga fará da concentração brasileira na África um bunker, inacessível. Sua ideia é abrir para os jornalistas duas vezes por semana e no final do treinamento, quando será impossível saber qualquer coisa.


Velho sonho de Ricardo Teixeira ter alguém com essa personalidade para enfrentar a imprensa.

Dunga tem motivo de sobra para executar com prazer essa missão.

Ele se sente perseguido desde 1990, quando representou o fracasso de uma geração.

Deu a volta em 1994 e se tornou o capitão de uma Seleção a gritar o maior número de palavrões, mas não bastou.

Por tudo isso recebeu a proposta para ficar até a Copa de 2014. Evidente que depende do resultado que terá na África do Sul.

Se ganhar o título ou fizer uma campanha digna, se manterá no cargo. Por quatro anos comandaria a Seleção Brasileira sem o aborrecimento das Eliminatórias.

LULA COMENTA CONVOCAÇÃO

O ministro do Esporte, Orlando Silva, disse nesta terça-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostrou confiança na composição da seleção brasileira. O ministro assistiu à convocação dos 23 jogadores do Brasil para a Copa do Mundo da África do Sul ao lado de Lula no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede provisória do governo.

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“O presidente acompanhou o anúncio da seleção e mostrou confiança. Mostrou confiança que essa seleção pode ter um bom resultado nessa Copa”, disse. Questionado sobre o fato de o técnico da seleção, Dunga, não ter convocado os jogadores do Santos Neymar e Ganso, o ministro disse que é preciso apoiar a seleção.

“A convocação é previsível. Ele [Dunga] privilegiou os atletas que trabalharam com ele desde o início da preparação da seleção brasileira. Apostou na estabilidade, não teve nenhuma novidade. Agora, é preciso apoiar essa seleção, Dunga fez um trabalho importante”, afirmou. Segundo ele, o presidente também achou positiva a escolha do técnico. O presidente achou positiva a composição da seleção brasileira e sobretudo apóia o Dunga pela iniciativa”.

VEJA AS PRINCIPAIS FRASES DE DUNGA

Sobre a alegria: “Não se coloquem como vítimas. Nós não estamos aqui para achar desculpa, mas para achar soluções. Temos que dar resposta para o torcedor que acorda às quatro, às cinco da manhã para trabalhar e volta às 10 da noite. Quando a seleção ganha, ele tem um sorriso.”

Sobre oportunidades e a troca de Adriano por Grafite: “Tem jogadores que jogam cinco minutos e aproveitam. É como na nossa vida. Tem pessoas que em cinco minutos aproveitam a oportunidade.”

Sobre a exclusão de Adriano: “Chegou o momento e tomamos uma decisão pelo coletivo.”

Sobre craques jovens e a comparação dos meninos do Santos com Pelé: “Se vocês aí encontrarem algum Pelé jogando por aí, me tragam. Vai ser capitão, dono do time, jogar até com as duas pernas engessadas. Pelé, antes de 58, já tinha jogado partidas pela seleção principal e torneios pela seleção Brasileira. Este rapaz chamado Pelé nós não podemos comparar com ninguém. Mito a gente não compara com ninguém.”

Sobre favoritismo: “A gente tem trabalhado com este grupo. Quebramos alguns tabus. Mas temos que querbrar o próximo tabu: a maioria das pessoas diz que, quando uma seleção sai bem do país, não consegue atingir seu objetivo.”

Sobre comprometimento: “Vou repetir palavra que vocês não gostam: comprometimento. Doni teve atrito em seu clube por ter decidido jogar com a Seleção contra a Inglaterra. Quando voltou, foi colocado na reserva. Eu pergunto ao torcedor: quer que eu deixe o Doni fora da Seleção?”

Sobre a Seleção de 94 e a falta de talento do time. “Tínhamos um goleiro chamado Tafarel, até que não é mal. Lateral direito, um tal de Jorginho, que cruzava pouco… O Branco, uma bomba, também não era tão bom. Um cara chamado Aldair. Márcio Santos, que fez uma Copa fantástica. Um volante como Mauro Silva. Tínhamos Bebeto e Romário. Não era uma seleção talentosa? Mas vencia.”

O BRASIL DE DUNGA

"A minha coerência é com os fatos”, avisou Dunga numa de suas primeiras respostas durante a entrevista coletiva desta terça-feira, no Rio de Janeiro. E torna-se difícil contestar o argumento usado pelo treinador ao apresentar os 23 nomes escolhidos para a disputa do Mundial da África do Sul. A base que levou a seleção à conquista da Copa América, da Copa das Confederações e das Eliminatórias da América do Sul foi mantida. Restavam poucas vagas em aberto. E esses lugares foram ocupados por jogadores que se encaixaram à perfeição no perfil traçado por Dunga logo que ele assumiu o cargo, depois do fiasco do Mundial de 2006.

As marcas do Brasil na última Copa – o despreparo, o desperdício do talento, a falta de profissionalismo – foram apagadas. Nenhum jogador da lista desta terça entra em campo em má forma. Nenhum é indisciplinado. E nenhum decepcionou quando teve a chance – uma oportunidade valiosa, sonhada por muitos, diga-se – quando foi chamado a defender as cores do Brasil.

Adriano, que se apresentou para a Copa-2006 com mais de 100 quilos, que some do treino de seu clube no dia da visita do coordenador Jorginho e que, infelizmente, sofre de uma doença grave que ainda não foi tratada, não vai à África. Grafite, que construiu aos poucos uma carreira de sucesso às custas da superação de suas limitações, vai no lugar dele. Ronaldinho Gaúcho, que passou de melhor jogador do mundo a apagado coadjuvante – e por pura falta de interesse em aproveitar seu potencial -, ficará em casa. Julio Baptista, Elano e Ramires, profissionais exemplares, competentes e valorizados por onde passam, viajarão a Johanesburgo. Questão de gosto e critérios, é claro. Mas Dunga desde cedo deixou claro quais são os seus.

No caso dos outros excluídos da lista, os novatos Neymar e Ganso, o argumento é outro, mas ainda certeiro. Dunga, o homem que só trabalha com quem confia, jamais teve tempo de convocar os jovens astros santistas. E diante da comparação de ambos com Pelé em 1958, lembra do detalhe que faz toda a diferença: o menino que virou rei na Copa da Suécia já tinha sido chamado para a seleção. “Se tivesse um Pelé, também chamaria.” Neymar e Ganso poderiam ser os astros da Copa da África. Mas como prever como reagiriam com a camisa amarela no maior evento esportivo do planeta?

Dunga fez sua parte. Construiu um grupo homogêneo, entrosado e bem sucedido. Recuperou a imagem da seleção dos arranhões sofridos em 2006. Testou dezenas de jogadores – alguns bons, vários médios, muitos ruins – e concedeu novas chances apenas aos que se esforçaram para aproveitá-las. Não levará à África do Sul o Brasil mais brilhante nem o Brasil mais talentoso. Mas está pronto para disputar a Copa do Mundo.

GRAFITE E GOMES SÃO SURPRESAS

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