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8 de julho de 2010

ESPANHA VAI PARA FINAL COM VITÓRIA SOBRE ALEMANHA

A decisão da Copa do Mundo vai ser disputada no domingo, em Joanesburgo, por duas seleções que nunca foram campeãs mundiais. A Espanha derrotou a Alemanha em Durban, chegou à final pela primeira vez e vai enfrentar a Holanda.

Estádio Moses Mabhida. O palco de uma final antecipada, de um jogão ou de uma tourada. Os espanhóis souberam cadenciar o jogo do jeito deles. Posse de bola, tocando, com calma. O toureiro esperando por um vacilo do touro.

Os alemães não conseguiram repetir a velocidade avassaladora dos outros jogos. A defesa resistia sempre que a Espanha conseguia uma brecha. Numa rara chance alemã, Casillas tirou.

Para a Espanha, faltava eficiência no ataque. A cabeçada de Puyol quase acertou a câmera, mas passou longe do gol.

No segundo tempo, o toureiro voltou decidido a terminar logo o combate. O jovem Pedro, de 22 anos, enloqueceu os alemães.

Xabi Alonso tentou uma, duas. E Pedro queria mesmo ser o nome da semifinal. Neuer honrou a tradição alemã de produzir bons goleiros. Mas a essa altura, o touro já cambaleava.

Logo em seguida, por centímetros, Villa não chegou na bola para fazer seu sexto gol na África. Depois, foi Sergio Ramos que quase chegou lá.

A Alemanha só acordou quando Toni Kroos chutou. Muito pouco para quem queria chegar à decisão.
Aos 28 do segundo tempo, cobrança de escanteio, o cabeludo Puyol, de 1m78, voou por cima dos gigantes da zaga alemã. O gol mais importante da história do futebol espanhol.

O touro se rendeu e caiu. Tristeza do jovem time alemão. Espanha 1 a 0, o mesmo placar da final da Eurocopa, há dois anos. Pela primeira vez, a Fúria estará numa final de Copa. Domingo, o mundo conhecerá um campeão inédito.

Um país apaixonado por futebol, que tem alguns dos clubes mais importantes do mundo, como Real Madrid e Barcelona, um campeonato riquíssimo, agora finalmente a Espanha tem a chance de ser grande também com sua seleção.

A Fúria está pronta para mais uma tourada. À espera do grito de olé.

6 de julho de 2010

SUL-AMERICANOS CHORAM DERROTA URUGUAIA

A Holanda está na final da Copa do Mundo pela terceira vez. Nesta terça-feira, a equipe repetiu o consistente futebol mostrado nas partidas anteriores, venceu o Uruguai por 3 a 2, na Cidade do Cabo, e se classificou para a decisão de domingo, em Johannesburgo.


O outro finalista sai nesta quarta-feira, na partida entre Alemanha e Espanha, marcada para as 15h30 (de Brasília), em Durban.


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Além de ter conquistado a sexta vitória em seis jogos na Copa, a Holanda ainda colocou um jogador, o meia Sneijder, entre os artilheiros do Mundial: ele marcou o segundo gol da equipe e chegou a cinco, mesmo número do espanhol David Villa.

A emoção do jogo foi até os segundos finais: o Uruguai perdia por 3 a 1, mas fez o segundo gol nos acréscimos, com Maxi Pereira, e teve a chance de buscar o empate com vários chuveirinhos na área, mas não conseguiu concluir nenhuma vez.

Melhor em campo durante a maior parte do jogo, com mais posse de bola e criando as melhores jogadas, a Holanda abriu o placar aos 18min, num golaço do lateral-esquerdo Van Bronckhorst de fora da área. O Uruguai, que não tinha dois titulares importantes, o zagueiro Lugano (contundido) e o atacante Suárez (suspenso), equilibrou a partida e chegou ao empate no fim do primeiro tempo, com Forlán, também de fora da área, e pressionou para tentar a virada, mas parou na defesa da Holanda.

No intervalo, o técnico Bert van Marwijk resolveu mandar a Holanda para o ataque, trocando o volante De Zeeuw pelo meia Van der Vaart e concentrando as jogadas pelo lado direito, assim como fizera nas quartas de final, diante do Brasil.

Deu certo, mas o segundo gol saiu num lance polêmico: aos 24min, Sneijer bateu de fora da área, a bola desviou num uruguaio, passou por baixo das pernas de Van Persie, que estava impedido, e entrou. Os uruguaios reclamaram muito, mas o árbitro e o auxiliar validaram o gol.

Três minutos depois, Kuyt fez boa jogada pela esquerda e cruzou para Robben marcar o terceiro gol, de cabeça. O jogo parecia definido, tanto que o técnico Oscar Tabarez tirou seu craque, Forlán, que estava esgotado. Mas o gol de Maxi Pereira reacendeu os ânimos do Uruguai, que lutou até o apito do juiz para tentar o empate. O prêmio de consolação para a Celeste Olímpica, principal surpresa das semifinais, será a disputa do terceiro lugar, no sábado, em Port Elizabeth.

2 de julho de 2010

PELA VAGA NAS SEMIS, BRASIL PROMETE IR AO ATAQUE

Impor-se, mostrar personalidade e técnica desde os primeiros minutos de jogo, colocar um ritmo cadenciado, encurralar a Holanda aos poucos. Essa é a estratégia do técnico Dunga nesta sexta-feira, às 11 horas (de Brasília), em Port Elizabeth.

Na fundamental partida pelas quartas de final da Copa do Mundo, contra o adversário mais forte que já enfrentou na África do Sul, o Brasil comprará a briga e atacará, promete o treinador.
- Respeitamos o talento dos holandeses, mas a seleção brasileira tem sua maneira de jogar e não vai mudar. Temos a nossa filosofia, que é buscar a vitória seja contra quem for. E o Brasil será o Brasil. Queremos chegar à semifinal desta Copa respeitando a nossa tradição.

No judiado e maquiado gramado de Port Elizabeth, o Brasil terá a iniciativa da partida. Sem Elano, contundido, e Ramires, suspenso, Dunga tem uma tênue esperança de escalar Felipe Melo ao lado de Gilberto Silva. Assim, ficaria mais confiante para adiantar o meio-campo e o ataque e pressionar os holandeses, como quem enfrenta uma equipe de menor potencial técnico. Assumir a postura de time grande é a meta.


Se Felipe Melo não conseguir se recuperar da pancada que recebeu no tornozelo esquerdo contra Portugal, o treinador brasileiro está dividido entre comprar a briga de maneira mais corajosa, com Kleberson, ou mais cautelosa, com Josué. A tendência é colocar o primeiro, que é mais habilidoso.

De acordo com o meia Kaká, astro da equipe, não há um motivo para o Brasil temer a seleção holandesa.
- Nós não podemos nos impressionar pela Holanda. É uma grande seleção, mas nós somos o Brasil. Sou mais o nosso time seja qual for o adversário.

Os jogadores querem o ataque. Por isso, a presença de Daniel Alves no meio-campo, atuando como meia improvisado ao lado do próprio Kaká, será decisiva. O time mudou com a sua escalação, ajudada pelo destino. Desde a contusão de Elano, o Brasil passou a atuar de maneira mais rápida, versátil da intermediária para a frente. Tornou-se uma equipe mais difícil de marcar.

Os laterais Maicon e Michel Bastos estão liberados para atacar, principalmente o direito. Dunga acompanhou com cuidado todos os jogos dos holandeses e percebeu uma grande deficiência de cobertura do lado esquerdo de sua defesa. E o jogador da Inter de Milão está orientado a atuar como ala quando o Brasil estiver com a bola.

Os holandeses têm jogadores técnicos, talentosos, como Arjen Robben, Wesley Sneijder e Mark Van Bommel. Apesar disso, Dunga aposta que mesmo assim os holandeses vão esperar, buscar por contra-ataques. Não irão escancarar sua equipe. E os brasileiros querem essa postura, como mostrou o atacante Robinho.
- Nós estamos acostumados a partir para cima de quem vai nos enfrentar. O Chile tentou mudar isso e perdeu fácil o jogo. A Holanda não cometerá o mesmo erro. Nós vamos ter de buscar a vitória. Sabemos disso. E, para mim, o caminho é o toque de bola em velocidade. Na nossa habilidade.

Lúcio, mais comedido, conhece bem os destaques dos rivais, e sabe que ele e Juan terão de confirmar ser a melhor dupla de zagueiros do mundo para se impor na partida.
- É um jogo eliminatório. O menor erro pode custar o fim da Copa do Mundo. O Brasil irá atacar, porque nasceu para jogar assim. Só que não podemos dar o mínimo espaço. Nós temos mais talento, mas sabemos que eles possuem atacantes que podem decidir a partida. Não vamos perder o foco, a seriedade, mas não teremos medo.

O árbitro será um capítulo à parte. O japonês Yuichi Nishimura é enérgico e gosta de dar cartões. Os jogadores já foram orientados a manter a concentração e não reclamar ou discutir com os holandeses.

Na Copa de 2006, a seleção foi eliminada nas quartas de final diante da França, como bem lembra o volante Gilberto Silva.
- Nós não esquecemos aquele jogo. Foi a prova que a apatia pode fazer com um time mais talentoso. Não vamos repetir esse nosso maior erro.

Se o Brasil vencer, a seleção deverá ficar dois dias em Port Elizabeth. Se for derrotada, o esquema já está armado. A volta para o Brasil deverá acontecer na tarde deste sábado, entre 17h e 19h (horário local, 12h e 14h no horário de Brasília).